Québec rua a rua: Cartier

Um dos locais que mais gosto de passear em Québec é a rue Cartier que fica entre o chemin Ste-Foy e a Grande-Allée, no bairro de Montcalm. Essa é uma das principais ruas comerciais da região onde tem vários bairros e restaurantes e algumas lojinhas.

Meu percurso favorito é pegar o ônibus 800 ou 801 e descer na station Cartier (na boul. rené-lévesque). Dai doi uma passadinha na Zone, minha loja de decoração preferida em Québec, andar pela rua em direção à Grande-Allée - parando para um café, um lanche ou um sorvete - e terminar o passeio nas Plaines que fica logo depois da Grande Allée.


A relação completa das lojas da rua pode ser encontrada no site Espace Cartier mas vou falar aqui um pouco de minhas preferidas.

Zone: a zone é minha loja de decoração preferida na cidade. Tem móveis modernos e objetos de decoração lindos, fofos e diferentes. O bichinho consumista sempre aparece quando vou por lá, o que só ficou pior quando vi o preço pelo qual os mesmíssimos produtos são vendidos no Brasil.





Picardie: Mistura de café, padaria, patisserie e galeria de arte. Tudo lá é gostoso. Ótimo lugar para um lanche ou para comprar aquela baguete recheada com tomates secos ou os croissants para o café da manhã. Vou ficar devendo as fotos da comida - que é o que interessa - mas acredito que não vai demorar muito para eu passar por lá para um lanchinho.




Turf: Nesse pub a pedida é um dos deliciosos hamburgers. Deliciosos e enormes. Lugar para ir com amigos jogar conversa fora e dar muitas risadas.

Le coin du monde: uma enorme banca de revista onde se encontra muitos objetos fofos, presentes, etc. Posso passar horas lá olhando tudo. E olha que toda vez que vou na cartier eu obrigatoriamente entro nessa loja.





Enfim, isso é apenas uma ínfima parte do que é possível encontrar nessa rua. Lá também tem um supermercado Metro, uma farmácia Brunet, uma SAQ (local onde vende bebida alcoolica), um jardin mobile (venda de frutas, verduras e legumes). Tem também uma loja especializada em chocolate, outra em papéis de todos os tipos, um pet shop, uma loja de bujoux, vários restaurantes, outros pubs, etc Futuramente tentarei colocar minhas impressões sobre cada um desses lugares.

Espero que tenham gostado de conhecer um cantinho de Québec.

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Imigrando com cães - Parte III: Recife-RJ

Acho melhor em terminar de contar essa viagem com os cães senão eu acabarei esquecendo os detalhes...

Então, no último post eu falei do problema que a American Airlines em Recife me causou, tendo que mudar meu roteiro, desviando pelo RJ e por NY, aumentando assim a viagem em 12 horas.

Quando me deram essa solução já era aproximadamente 11h da manhã, horário que eu deveria estar decolando rumo a Miami. Tive que aguardar o vôo que eu deveria ter pego partir para que emitissem nossos novos tickets. Pegaríamos um voo da Tam até o RJ e de lá embarcaríamos pela AA para o JFK em Nova Iorque onde faríamos conexão para Montréal.

Considerando que existe vôo de NY direto para Québec - o que não havia partindo de Miami - perguntei se poderia trocar nosso bilhete para fazermos NY-Québec já que fizeram essa confusão toda por conta do 1ºc de Miami, mas o pedido foi negado.


Maja e Lancelote durante a viagem de João Pessoa para Recife

Enfim, fomos à TAM fazer o check-in para o Rio de Janeiro. A atendente de lá, um amor de pessoa, foi super gentil e ficou injuriada pelo que ocorreu. E confirmou o que eu já sabia: a tam não faz esse tipo de verificação de temperatura. Enfim, tive que pagar o embarque dos cães pela TAM no valor de quase R$ 500,00. Foi então que a atendente me chamou a atenção ao fato de que eu deveria confirmar com os funcionários da AA se seria eu que pagaria ou eles o fariam considerando que eu não havia escolhido fazer uma conexão por outra companhia aérea e que o que eu iria pagar na AA originalmente seria 150 dolares por cão. Ou seja, se me cobrassem novamente no Rio eu estaria pagando o dobro pelo embarque dos cães. Nesse momento tive informações desencontradas. Um funcionário da AA disse que eu teria que pagar de novo e outro disse que bastaria eu mostrar o recibo da TAM no RJ para comprovar o pagamento. Nesse momento eu estava psicologicamente exausta então resolvi acreditar no funcionário que disse que eu não pagaria e rezar.

Fato engraçado é que quando a funcionária da TAM havia feito todo o procedimento de embarque dos cães e me disse para levá-los ao check-in no momento do embarque (1 hora depois, mais ou menos), nos nos despedimos e só quando eu estava pegando o elevador para a praça da alimentação que me lembrei que ela tinha esquecido de me pedir o comprovante de pagamento (e eu de ir pagar). Daí voltei correndo para lá para efetuar o pagamento.

Enfim, fiquei muito satisfeita com o atendimento da TAM.

Feito o check-in, malas despachadas, fui finalmente comer algo. A viagem havia começado às 5h da manhã daquele dia e já era mais de 1h da tarde. A fome bateu. Comemos, alimentamos os cães e na hora marcada os entregamos à funcionária da TAM. Para mim foi um momento difícil pois não fazia ideia de como eles se comportariam durante o voo.


 Caixas de Merlim e Lancelote no aeroporto de Recife

***

Algo que não posso deixar de comentar é que diante do aumento de tempo de viagem em 12 horas eu fiquei com medo que a ração que eu estava levando fosse insuficiente para eles se alimentarem, o que foi outro motivo de preocupação. Felizmente, amigos são o bem mais precioso que temos e eu lembrei (ou melhor minha irmã lembrou) que minha amiga Tati mora perto do Galeão, no Rio de Janeiro. Então eu liguei para ela perguntando se ela poderia me levar um pouco de ração de seus animais no aeroporto para garantir que Merlim e Lancelote não ficassem com fome. E não só ela levou a ração como, assim como sua sobrinha, me ajudou enormemente durante a conexão mais maluca e apressada de minha vida.

Tati, nunca serei capaz de agradecer toda a ajuda que você nos deu naquele momento. Obrigado, do fundo do coração.

***

Chegamos no galeão por volta das 19h e nossa conexão sairia pouco depois (não lembro bem, mas antes das 22 horas). Felizmente não precisamos pegar as malas, mas tínhamos 2 cães para pegar. Descobrimos onde eles sairiam e fomos pedir para um funcionário que os buscasse rápido devido a nossa conexão. Uns quinze minutos depois ele chegou com Merlim e Lancelote.

Eles estavam um pouco assustados mas bem. Ufa! Meu maior medo era que eles ficassem extremamente estressados durante o voo, pois são cães idosos e, portanto, com pequenos problemas cardíacos.

Ao sairmos para o hall do aeroporto encontramos a Tati e a sobrinha dela que como eu disse foi de uma super ajuda. Primeiro elas nos guiaram pelo aeroporto do Rio fazendo com que chegássemos muito mais rápido ao local do check-in da AA. Quando chegamos lá o check-in já havia começado e éramos as últimas da fila. Nesse momento eu não estava muito preocupada com o tempo porque pensava, não sei porque, que sairíamos 1 hora depois do horário no qual o voo realmente decolaria. Achava então que teria pelo menos uma meia hora para passear com os cães.

Mas, mesmo assim começamos, ali na fila, a organizar as coisas. Trocar forro das caixas de transporte que estavam xixadas, tirar os cães da caixa e levá-los para andar e fazer xixi do lado de fora (e mesmo do lado de fora do aeroporto acreditam que teve segurança dizendo que não poderíamos tirá-los da caixa ali? Sim, eles não poderia sair da caixa nem no exterior do aeroporto!!!! Absurdo isso).

Quando chegou nossa vez foi que me dei conta que estávamos realmente atrasadas. Foram QUATRO funcionários fazendo nosso check-in ao mesmo tempo. Nesse momento corremos para alimentar e oferecer mais água aos cães pois eles já seriam despachados imediatamente. A adrenalina estava a mil. Foi tão corrido que mal deu tempo de pensar em me preocupar em como eles enfrentariam o trecho mais longo da viagem.

Depois de tudo preenchido, caixas lacradas, adesivos colados, o funcionário vem me dizer que tenho que ir na loja pagar o valor da passagem dos cães (a taxa de 150 dólares por cão, lembram?). Foi aí que eu bati o pé e disse que estava tudo pago pela TAM devido a confusão de Recife. Acho que como estávamos tão atrasados o funcionário não argumentou e nos liberou.

Momento de tensão foi quando fomos argumentar a questão do pagamento do embarque dos cães, minha irmã caiu na besteira de comentar que o motivo da mudança de voo foi a temperatura em Miami. Dai uma funcionária (a única mulher que estava fazendo nosso check-in) veio logo dizer: "ah, é mesmo, temos que verificar a temperatura...". Eu quase ataco a infeliz porque se eu fui pelo RJ foi que em Recife me garantiram que eu embarcaria para NY. E, depois disso tudo vem uma infeliz que nem estava lembrando de verificação de temperatura me dizer isso... Mas, enfim, imediatamente os outros funcionários que estavam fazendo o nosso check-in (que desconfio que 2 deles era supervisores ou gerentes) disseram logo que não iam verificar nada, que já estava em cima da hora e que tínhamos que correr para pegar o voo.

***

Verdade seja dita, os funcionários do RJ da AA (tirando essa mulher) foram super gente fina conosco. Fizeram de tudo para nos embarcar com o pouco tempo que tínhamos para isso.


Não sei vocês mas eu sempre me dou melhor com funcionários homens. É impressionante como as mulheres ficam procurando pêlo em ovo. Foi assim em Recife e quase que seria no RJ, se dependesse dessa funcionária que estava lá. Felizmente ela não era gerente.

***

Finalmente, nos despedirmos da Super-Tati e corremos para o embarque. Parei no banheiro em frente ao portão de embarque e corri para o avião. Fomos as últimas - ou quase - a embarcar. Viria agora uma longa noite de preocupação com os cães. Era perto de 22 horas e se tudo tivesse corrido como planejado deveríamos estar dentro do avião que nos levaria de Miami a Montreal e não ainda no RJ.

Mas, enfim, estávamos deixando o Brasil com os cães e isso era o mais importante.


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Imigrando com cães - Parte II: American Airlines, uma péssima escolha

Pelo título do post já da para ter uma idéia que tive problemas com a emprea, né? Mas, eu já deveria ter previsto que escolher essa empresa ia me causar algum tipo de problema, já que no ano passado eu já havia me estressado com ela.

Eu acabei escolhendo ela porque era o trajeto mais curto de vôo para meus cães. Sairiamos de Recife às 10h45 e chegariamos em Montréal à meia-noite, com apenas uma escala em Miami. Ou seja, 13 horas no lugar de mais de 24 horas com outras companhias. Parecia uma escolha simples. Mas, se revelou, uma péssima escolha.

***
Mas, comecemos pelo começo. No dia 27 de julho saimos de João Pessoa, de táxi, às 5 horas da manhã e mais ou menos às 7 horas estavamos no aeroporto de Recife (momento tenso aconteceu uma semana antes quando as fortes chuvas danificaram uma ponte na BR 101 fazendo a viagem até Recife durar 5 horas e não 2 horas como de costume - mas graças a Deus tudo foi regularizado até o dia de nossa viagem).

Chegando no aeroporto ficamos esperando o Ministério da Agricultura abrir às 8h e, enquanto, isso recebendo reclamações dos seguranças que queriam porque queriam que os cães ficassem 100% do tempo nas caixas ou no colo.

Como eu havia dito no post anterior eu peguei o CZI dos cães no Ministério da Agricultura de Recife às 8h30 e me dirigi ao guichet da American Airlines. A fila já estava imensa então falei com um funcionário que eu estaria fazendo o check-in com dois cães e perguntei se eu aguardava na fila ou eles iriam me atender logo, por ser um procedimento mais demorado. O funcionário me mandou esperar na fila pois iria dar tempo de fazer meu check-in.

E assim ficamos, na fila, com os cães confinados nas caixas ou no colo (no chão só era permitido no exterior do aeroporto) por uma hora. Quando finalmente chega minha vez eu escuto:

"Não poderemos fazer seu check-in porque a temperatura prevista para Miami está superior a 85ºF (29,44ºc)".

Como assim minha senhora? Meu primeir reflexo foi saber quantos graus estava lá. 40ºc, 50ºc? Não, estava previsto fazer 90ºF (32,2ºc). Ok, ok, eu assino um termo de responsabilidade afinal a temperatura não está nada absurdo para animais que nasceram e se criaram em João Pessoa, acostumados a calor muito maior, acostumados a ir ao Pet Shop para a tosa numa van sem ar condicionado toda semana onde com certeza fazia mais calor que isso. Além do que minha irmã cansou de levar e trazer a cachorra dela de Brasilia a João Pessoa, de avião, com temperaturas dessa ordem ou maior.

E, pior, segundo eles, eu não poderia assinar termo de responsabilidade. Eu poderia se estivesse no inverno, com trocentos graus negativos, mas não se estivesse acima de 29,44ºc.

Implorei, chorei, ameacei. A supervisora do check-in, uma pessoa que não deveria nunca trabalhar com o público de tão grossa que é, não cedia em nada. Queria, simplesmente, que eu fosse todos os dias ver se por um milagre do divino Espirito Santo iria fazer menos de 29,44ºc em Miami, no verão, às 18h. Acho que seria o mesmo que esperar que fizesse 10ºc em Janeiro em Québec.

Vendo que ela não iria resolver nada (ela simplesmente me ignorava! Até virar a cara ela virou!) eu pedi para falar com a superior dela. Primeiro negou haver alguém superior a ela (ela deve ser Deus, né?) e depois se recusou a chamar a pessoa ou me colocar em contato por telefone. Nesse momento quase todo mundo já havia feito o check-in, eu já estava dando escândalo e vários passageiros estavam solidários comigo. Ah, tenho a dizer que o problema era essa supervisora porque os atendentes do check-in me pareceram não concordar com ela. Ah, tem mais uma, soube que desde o momento que eu avisei que estava na fila ela já tinha dado ordem a todo o check-in de não me embarcar com os cães e me deixou uma hora esperando na fila a toa.

Enfim, depois de meio mundo de confusão (eu não arredei o pé do guichet do check-in) finalmente a chefe da supervisora chegou. Era a gerente da AA do aeroporto de Recife. Essa, apesar de mais educada, insistia que eu não poderia embarcar por conta da temperatura. Dizia que na semana anterior tinha embarcado com temperatura de 87ºF (30,5ºc), mas não poderia fazer com 90ºF (32,2ºC). Nesse momento minha irmã abre o site do weather channel no celular e a previsão para Miami no horário de nosso desembarque estava de 88ºF (31,1ºc). Uma diferença de 0,6ºC da temperatura que ela disse que embarcava.

Mas, mesmo assim o embarque não foi autorizado, pois segundo ela no site que eles usam a previsão era de 89ºF (ué, não era 90ºF?), ou seja, 31,6ºc. UM grau de diferença do que ela permitiria.

Quem me conhece sabe o quanto amo meus cães (tanto que estou trazendo eles, né?) e o quanto me preocupo com a saúde deles (nem queiram saber o quanto gasto de veterinário). Eu nunca colocaria a vida deles em risco. Eu nunca pediria e insistiria para embarcá-los se eu achasse que eles correriam qualquer perigo que fosse. Se a previsão fosse de 35ºc, 40ºc, 50ºc... ou se eles fossem cães que não fossem acostumados com calor eu nunca pediria para que fossem embarcados. Mas, sinceramente, não acho que tenha diferença entre 30,5ºc e 31,6ºc, temperatura essa que eles pegariam apenas do percurso do avião até o saguão do aeroporto.

Enfim, depois de muito insistir, chorar e implorar a gerente resolveu mudar nosso itinerário. Fariamos Recife-Rio-NY-Montréal. No lugar de chegar em Montréal a meia-noite chegariamos às 11h da manhã. No lugar de fazer uma conexão, fariamos duas. Onde, meu Deus, isso é melhor para meus cães do que pegar 1ºC a mais na temperatura durante um trajeto do avião ao aeroporto (coisa rápida, pelo que pude notar durante a viagem)?

Mas, era isso ou ir todos os dias ao aeroporto verificar a temperatura de Miami. Resolvi mudar o itinerário (o mesmo que me fez não ter escolhido companhias aereas de melhor qualidade, pois eu queria poupar os cães de uma longa viagem).

Nos próximos posts falarei da viagem propriamente dita. Uma maratona. 

Obrigado American Airlines por ter tornado uma viagem cansativa e estressante ainda mais cansativa e estressante.


******

A temperatura de fato em Miami no momento do pouso do nosso vôo foi de 86ºF, segundo fontes oficiais, ou seja, menos do que os 87ºF que a gerente disse que embarcaria os animais.

Acho que se a American Airlines não embarca animais com temperaturas superiores a 29,4ºc deveriam fazer um embargo de verão, assim como a Air Canada faz, porque é muito dificil ter um previsão de temperatura inferior a isso para Miami no mês de julho.


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Imigrando com cães - Parte I: Preparativos

Meu projeto inicial era vir morar no Canadá e poucas semanas depois, já com apartamento alugado e montado, trazer meus dois cães (Merlim e Lancelote, poodles). Infelizmente, por motivos alheios à minha vontade eles não puderam vir em 2010. Mas, em julho eu finalmente pude trazê-los.

Não vou dizer que fazer uma viagem tão longa com dois cães é bolinho. Não é. Mas, apesar de tudo, vale muito a pena tê-los aqui comigo, finalmente.

Como eu disse eu trouxe dois cães, idosos, de João Pessoa para Québec. Para tanto tive a ajuda de minha irmã que veio passar uns meses comigo. Sem ela eu não sei se teria dado conta de fazer essa viagem com 2 cães e 1 mala.

Meus primeiros passos nessa jornada foram:

- Fazer um check-up completo nos cães, incluindo exame sanguineo, raio-x do tórax, ultrassom e eletrocardiograma. Vale dizer que meu caso é especial pois são cães idosos, de 13 e 15 anos, já com alguns problemas de saúde.

- Escolher o trajeto menos estressante para eles, ou seja, o mais curto. No meu caso era o vôo Recife-Miami-Montréal operado pela American Airlines. Nesse vôo eu sairia de Recife as 10h45 e chegaria em Montréal 13 horas depois. Programei ir de João Pessoa à Recife (120km) de taxi e ao chegar em Montréal dormir em um hotel pet friendly perto do aeroporto e pegar a estrada no dia seguinte, já bem descansada.
Enfim, com tudo organizado fui ao Brasil curtir às férias com a família e providenciar os documentos necessários para a viagem dos cães:

- Atestado veterinário: necessário para tirar o CZI que é o documento que realmente importa na viagem. Fui ao veterinário que já acompanha os cães e ele me forneceu, assim como atestado de vacinação.

- CZI: Esse documento, de acordo com a lei, deve ser emitido no Ministério da Agricultura do local de saída do país, podendo ser emitido em outro local caso seja o ponto de origem do seu vôo. Por exemplo, se meu vôo fosse João Pessoa/Recife/Miami eu poderia tirar o CZI em João Pessoa mesmo não sendo a cidade de saída de meu vôo internacional. Como eu faria o percurso João Pessoa/Recife de carro eu deveria tirar o CZI em Recife, teoricamente.

No entanto liguei para a American Airlines e para os Ministérios da Agricultura de João Pessoa e de Recife e todos me disseram que eu poderia tirar o documento em João Pessoa. Como meu vôo saia muito cedo de Recife resolvi tirar o documento em João Pessoa para prevenir, mas como eu sou desconfiada e a lei diz que teria que ser em Recife eu também tirei o CZI no aeroporto de Recife antes de embarcar. Aconselho quem for viajar telefonar para o posto do Ministério da Agricultura responsável pela emissão de seu CZI para confirmar o horário de atendimento. Em Recife o posto do aeroporto abria às 8 horas e  emissão do documento levou meia-hora. Os documentos necessários são o atestado veterinário (atenção que este tem um prazo de validade. Se não me engano é de até 72 horas antes) e a carteirinha de vacinação contra raiva em dia.

No próximo post eu irei começar a relatar a viagem propriamente dita que foi cheia de imprevistos e contratempos.


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Carteira de motorista em Québec - Parte 2

Após ter passado pelo teste teórico eu pude tirar a carteira de motorista aprendiz. Essa carteira que custou uns CAD 50,00  me permitia dirigir desde que eu estivesse acompanhada por alguém com uma carteira de motorista do Québec com mais de 2 anos de experiência reconhecida (ou 2 anos de carteira de motorista em Québec ou 2 anos de carteira do Brasil desde que já tivesse a carteira do Québec). Lembro que quem tiver uma carteira de motorista do Brasil ainda válida não precisaria tirar essa carteira de aprendiz para treinar para a prova prática.

Assim passei alguns dias praticando. E agradeço demais aos amigos que abriram mão de um tempinho de folga  para me acompanhar pela cidade e me dar dicas. Além disso eu paguei umas aulas com um professor particular indicado por uma amiga do trabalho. Cada hora de aula custou CAD 35,00 e foi bom para saber o que eu estava errando e ter uma noção das diferenças das regras de trânsito daqui. No fim da primeira aula o professor disse que eu passaria na prova, mas mesmo assim eu preferi fazer uma segunda.

Enfim, 14 dias depois de ter pego a carteira de aprendiz fui fazer minha prova teórica. Eu a fiz em Lévis, pois para fazer em Québec teria que esperar mais uns 15 dias por uma vaga. E, claro, também pesou a fama de que em Lévis é menos difícil de passar.

O meu professor particular já havia me dito que em Lévis tem quatro examinadores. Três mulheres e um homem. E que, obviamente, o que era menos exigente era o homem. Na hora eu pensei: poxa, tenho 25% de chance de pegar o homem, claro que isso não vai acontecer.

Pois bem, chegou o grande dia e quando me chamam dou de cara com quem? Sim, O homem! Alivio geral. E lá fomos nós para a prova. Entramos no carro e o meu examinador favorito me explica como vai ser a avaliação. Segundo ele não iria ter muito papo, ele só iria me dar indicações de onde dobrar, com antecedência suficiente, e me observar. Ok, hora de dar partida no carro.

Massssss.... Quem disse que a chave virava? Tentei uma, duas, três vezes. Nada. Era a direção que estava travada e por isso o carro não ligava. Já me considerando reprovada comecei a encarar o exame como um treino para o próximo, pois obviamente uma pessoa que não consegue ligar o carro não vai ser aprovada, né?

Enfim, liguei o carro. Na saída do engarrafamento o meu examinador favorito pergunta à quanto tempo estou no Québec e a partir dai não parou mais de falar. Conversamos os 30 minutos do exame (isso porque no começo ele disse que não ia ter papo, tá?). Sai de lá aprovada e com uma relação de locais a visitar na região de Québec.

Sobre o exame tenho a dizer que aqui o que se pede mais não é ter o controle do veículo (até porque vamos combinar que para controlar carro automático não é preciso ser um Airton Senna), mas sim ter conhecimento das regras de trânsito, olhar os pontos cego e dirigir de forma segura.

Algumas coisas que aprendi:

- Ao mudar de faixa tem que fazer o RACRA, ou seja, olha para Retrovisor, olhar o Angle mort (ponto cego), colocar o Clignotant (pisca-pisca), olhar o Retrovisor e olhar o Angle mort e só então mudar de faixa.

- Se tiver um buraco na sua frente, a não ser que seja uma cratera de um meteoro, não freie. Passe o carro pelo buracão e reze para não quebrar. Porque se freiar ele vai considerar como não sendo seguro, pois alguém atrás pode bater em você (nem adianta argumentar que você viu pelo retrovisor que dava tempo de parra).

- Ao ver uma placa de pare, pare mesmo.

- Ao dobrar à esquerda ou à direito tem que olhar o ponto cego, além de olhar para os lados.

- Em Québec você pode dobrar à direito no sinal vermelho, desde que não tenha placa proibindo. Mas, veja bem, segundo meus colegas de trabalho você PODE, mas não é obrigado. Por via das dúvidas no exame eu não dobrei já que não é uma obrigação.

- Sinal piscando verde significa que você tem prioridade para dobrar. É como um sinal de seta.

- Na prova você faz uma "garagem". No meu caso era no estacionamento do SAAQ e não era entre dois carros, mas tinha apenas um carro do lado da vaga. Segundo o examinador eu tinha direito de "arrumar" o carro uma única vez. 

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Um ano

Hoje, pouco depois da meia-noite, fez 1 ano que coloquei os pés no Canadá. Um ciclo se fechou. Verão, outono, inverno e primavera. Estou aqui de volta à estação dos churrascos, dos "travaux" nas ruas, do por do sol às 20h... E, quando um ano se passa temos a tendência a avaliar o que se passou, a nos perguntar se valeu a pena, se faríamos tudo de novo. Então hoje foi um dia de muita reflexão.

Se eu pudesse abrir um buraco de minhoca de fringe (ou pegar emprestada a DeLorean de Martin McFly - você escolhe sua máquina do tempo preferida) e voltar para maio de 2010, eu faria tudo de novo? 

Por enquanto a resposta é sim. 

É claro que mudar de vida, de país e de profissão não é bolinho. Como tantos já disseram, o mais complicado é a saudade. Não do Brasil, mas sim das pessoas. Saudades de um café com pão caseiro feito com tanto carinho, da conversa jogada fora no carro no caminho ao trabalho, saudades de um abraço, de um bom dia. Enfim, nostalgia do dia-a-dia.

Além da saudade, pesa o fato de que nem tudo aconteceu como planejado. Coisas que eu deveria ter feito há um ano só estão acontecendo agora e por momentos isso desanima. Mas, a vida não é sempre assim? Certamente se eu tivesse ficado no Brasil coisas fora dos planos teriam acontecido e eu teria que lidar com esses obstáculos e vencê-los.

No entanto, basta eu ir ao Vieux-Québec, olhar o Rio St-Laurent ao lado do Château Frontenac, que tudo muda. Nesse momento tenho certeza que estou exatamente onde eu deveria estar. É então que me dou conta que gosto dessa cidade. Gosto do meu dia-a-dia tranquilo. Gosto da mudança das estações, mesmo preferindo (sim, confesso) que o inverno fosse um pouco menos longo. Gosto dos amigos que fiz. Gosto dos parques. Gosto do desafio diário de trabalhar em outra língua. Gosto de sair do trabalho as 16h. Gosto do café com donuts do Tim Hortons. Gosto do silêncio depois de uma grande nevasca. Gosto desse povo que nunca me tratou como uma estrangeira, mas sim como uma nova québécoise.

Enfim, um pedaço do caminho foi percorrido. Mas, muita coisa ainda está por vir. Que venha mais um ano em Québec, na cidade onde escolhi viver.


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Descobrindo Québec: Le buffet de l'antiquaire

Eu simplesmente ADORO ficar andando pelas ruas do vieux-québec ou de St-Roch, descobrindo lojinhas, restaurantes, cantos e recantos.

Há umas duas semanas estava eu procurando um local onde almoçar quando paro para ler o menu de um tal de buffet de l'antiquaire. Nesse momento uma québecoisa para e me diz: pode entrar que é bom.

Aceitei a sugestão e entrei. O lugar não é chique mas estava lotado. Alguns turistas, mas sobretudo québecois, alguns notei que eram habitués do local, conhecidos pelo nome. E todos estavam comendo o brunch do lugar.

Naquele dia não estava com vontade de um brunch então pedi um cheessburguer com fritas. Adorei. O hamburger feito em casa estava delicioso. O preço também foi ótimo, uns 7 dolares, o que não paga nem um mc donalds.

Fim de semana passado voltei lá, dessa vez para comer o brunch. Também foi aprovado, sobretudo a geleia de morango caseira (um opcional). Bem melhor do que o que comi no chez Cora (e mais barato também).

Chegando em casa, depois da segunda visita, resolvi googlear o tal restaurante para ver o que dava:

"Le Buffet de l’Antiquaire sert, depuis ses débuts, une cuisine au goût d’ici! Nombreux habitués viennent y déguster des mets typiquement québécois..." (Québec Plus)

"Hearty home cooking, generous portions, and rock-bottom prices have made this no-frills, diner-style eatery a Lower Town institution." (Fodors)

"Un restaurant comme on n’en fait plus. Repère des résidents du quartier, il fait partie intégrante du décor de la rue des antiquaires. On y sert une cuisine québécoise familiale..." (Petit futé)

Enfim, super recomendo o restaurante, que fica na St-Paul, a rua dos antiquários de Québec.

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